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Por que os jardineiros e horticultores precisam recolher papelao 5 maneiras de utiliza lo

Mãos colocam cartão no solo, regado por regador, com pedras e carrinho de mão ao fundo no jardim.

Há um momento silencioso, quase automático, em que se abre uma encomenda e o chão fica coberto de cartão. Num grupo de jardinagem, isso costuma vir acompanhado de mensagens como “claro! por favor, envie o texto que deseja que eu traduza.” e “claro! por favor, forneça o texto que pretende traduzir.” - frases que aparecem quando alguém partilha rótulos, instruções ou listas de materiais. O curioso é que, para jardineiros e horticultores, o mais valioso nem sempre é o que vem escrito: é o próprio papelão, porque pode poupar água, reduzir ervas e alimentar o solo com um custo praticamente zero.

O cartão tem má fama por ser “lixo de embalagem”, mas no jardim funciona como ferramenta. Usado com critério, ele substitui plásticos, diminui trabalho e cria um “intervalo” entre o que quer crescer e o que quer invadir.

Quando o papelão muda de categoria: de desperdício a aliado do solo

À primeira vista, parece demasiado simples para resultar. Uma folha castanha, sem glamour, a cobrir terra. Depois vem a diferença: menos luz para as infestantes, menos evaporação nos dias quentes, e uma humidade que se mantém onde interessa - junto às raízes.

Há também um lado prático que quem cultiva entende de imediato: o papelão compra tempo. Tempo para o canteiro estabilizar, para a matéria orgânica começar a trabalhar, para o jardineiro não passar o fim de semana a arrancar “matinho” com as unhas.

Antes de o usar, há duas regras que evitam dores de cabeça:

  • Retire fitas adesivas, agrafos e etiquetas plásticas.
  • Evite cartão plastificado/brilhante e embalagens muito impressas (sobretudo com tintas muito densas).

5 maneiras de utilizar papelão no jardim (sem complicar)

1) “Mulch” de papelão para cortar ervas daninhas (e reter água)

Esta é a aplicação mais popular e, quando bem feita, a mais impactante. O objetivo é bloquear a luz e criar uma barreira temporária enquanto o solo por baixo se mantém ativo.

Como fazer, de forma simples: 1. Corte a relva/ervas o mais baixo possível. 2. Molhe o chão (o cartão adere melhor e começa a amolecer). 3. Sobreponha folhas de papelão (10–15 cm de sobreposição para não deixar “fendas”). 4. Molhe por cima e cubra com 5–10 cm de composto, folhas, aparas ou palha.

Use em caminhos, à volta de arbustos, em canteiros novos e sob sebes. Em poucas semanas, o cartão começa a desfazer-se; o que fica é um solo mais protegido e, muitas vezes, mais fácil de trabalhar.

2) Cama de compostagem (compostagem “em camadas” com menos cheiro)

O papelão é carbono: perfeito para equilibrar restos verdes (relva fresca, cascas, borras, restos de cozinha). E tem uma vantagem pouco falada: absorve excesso de humidade, o que reduz odores e compactação.

Um esquema que funciona bem: - Base: cartão molhado (ajuda a drenar e impede que a pilha “fuga” para o chão). - Camadas alternadas: verdes (azoto) + castanhos (papelão rasgado, folhas secas). - Topo: uma camada castanha para “selar”.

Rasgue o cartão em tiras (não precisa de perfeição) e evite grandes placas no meio da pilha, porque podem criar zonas sem ar. O objetivo é estrutura, não uma parede.

3) “Sheet mulching” para criar um canteiro novo sem cavar

Quando a área está tomada por relva ou erva persistente, cavar parece a única saída. O papelão permite outro caminho: sufocar por baixo e construir por cima, como se estivesse a montar o canteiro em câmera lenta.

Passos rápidos: - Aparas ou corte baixo o que existe. - Cartão molhado em camada dupla nas zonas mais difíceis. - 10–15 cm de composto/terra melhorada por cima. - Plantar em “bolsas” (abrindo um X no cartão) ou esperar 2–3 semanas.

Para hortas, isto é ouro. Menos esforço inicial, menos revolvimento (que traz sementes de infestantes à superfície), e um arranque mais limpo na primavera.

“O cartão não é magia - é gestão de luz e humidade. Se o solo estiver vivo, ele faz o resto”, resume a ideia um técnico agrícola num workshop de horticultura urbana.

4) Proteção de mudas e árvores jovens contra frio e calor (e até roçadoras)

Quem já perdeu uma muda a um golpe de roçadora sabe que a ameaça nem sempre é a praga mais sofisticada. O papelão pode servir como proteção temporária, desde que não encoste de forma permanente ao tronco.

Duas formas úteis: - Colar de proteção (tipo “capa”): um cilindro de papelão à volta da muda, preso com arame fino ou cordel, com folga para ventilação. - Escudo no solo: um quadrado de cartão no chão, sob cobertura orgânica, para reduzir stress hídrico e proteger raízes superficiais.

Em ondas de calor, o ganho é muitas vezes visível: o solo por baixo não “coze” tão depressa, e as regas rendem mais.

5) Caminhos limpos entre linhas (horta mais arrumada, menos lama)

Esta é a solução de quem quer uma horta funcional e fácil de manter. Em vez de lutar contra o “corredor” de ervas entre as linhas, use cartão como base e uma cobertura por cima.

Uma receita prática: - Cartão em faixa larga ao longo do caminho. - Aparas de madeira, palha ou casca por cima (para estética e durabilidade). - Reforço pontual ao longo do ano onde o cartão se abre.

O resultado é menos lama, menos infestantes, e um espaço onde se pode colher mesmo depois de chuva sem transformar o corredor num campo de batalha.

O que evitar (para o papelão ajudar, e não atrapalhar)

O cartão é útil, mas não é neutro. Usado em excesso ou no sítio errado, pode criar problemas - sobretudo de oxigenação superficial e abrigo para lesmas.

Tenha atenção a isto: - Não “empacote” o solo: se o terreno já drena mal, use cartão em zonas pequenas e com cobertura leve. - Vigie lesmas/caracóis: o ambiente húmido é ótimo para eles; compense com armadilhas, recolha manual e habitat para predadores (sapos, ouriços, aves). - Evite cartonagens com gordura/óleos (pizza, fritos): atraem pragas e cheiram mal na decomposição.

Um guia rápido para decidir onde usar

Objetivo Melhor uso do papelão Bónus prático
Menos ervas Camada + cobertura orgânica Menos regas
Solo mais fértil Compostagem em camadas Menos cheiro/compactação
Horta mais limpa Caminhos entre linhas Menos lama

FAQ:

  • O papelão “rouba azoto” ao solo? Se estiver à superfície como cobertura, o impacto nas plantas é mínimo; a decomposição acontece sobretudo na interface com o solo. Em canteiros novos, compense com composto por cima.
  • Posso usar papelão com tinta? Em geral, cartão castanho e impressão leve são os mais seguros. Evite superfícies brilhantes, plastificadas e impressões muito densas.
  • Quanto tempo demora a decompor? Depende da humidade e da vida do solo: pode ir de 4–8 semanas (cartão fino e molhado) a vários meses (placas grossas em tempo seco).
  • Dá para usar no interior de estufas? Sim, especialmente em caminhos e zonas de circulação. Só garanta ventilação e monitorize pragas que gostam de humidade.
  • O que faço com caixas com fita adesiva? Retire a fita e agrafos antes de aplicar. Se não der para remover, é melhor reciclar essa parte e usar apenas o cartão limpo.

No fim, recolher papelão não é “acumular tralha”: é reservar uma matéria-prima que resolve problemas reais no terreno. E quando a próxima caixa chegar, a pergunta deixa de ser onde a pôr - passa a ser em que parte do jardim ela vai trabalhar primeiro.

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