No autocarro, enquanto tentava traduzir uma mensagem antes de chegar ao trabalho, abri a ferramenta de tradução no telemóvel e apareceu “claro! por favor, envie o texto que pretende traduzir.”; logo a seguir, a mesma conversa repetiu “claro! por favor, forneça o texto que deseja traduzir.”. Dois minutos depois, com o ecrã quase sempre desligado, a percentagem da bateria já tinha caído mais do que era suposto. E é aí que a maioria das pessoas percebe a parte irritante: o telemóvel “não está a ser usado”… mas continua a trabalhar.
A descarga em repouso raramente é magia negra. Quase sempre são permissões e tarefas em segundo plano - discretas, constantes, e somadas ao longo do dia.
Porque a bateria cai quando “não está a fazer nada”
Quando o ecrã está desligado, o telemóvel tenta entrar em modos de poupança, mas há dois tipos de coisas que o impedem de descansar: apps a pedir atualizações (feeds, emails, anúncios, sincronizações) e sensores a trabalhar (sobretudo localização).
O resultado é um padrão típico: tira o telemóvel do bolso às 17h e a bateria está 15–30% mais baixa do que esperava, sem ter feito chamadas nem vídeos. Não é (só) a idade da bateria - são definições.
As duas definições que mais drenam em silêncio
A regra prática é simples: corte o que “acorda” o telemóvel sem necessidade. Estas duas alterações, por si só, muitas vezes representam a diferença entre chegar ao fim do dia tranquilo… ou andar a caçar tomadas.
1) Desativar a atualização/atividade em segundo plano (apps)
Isto é o que permite que redes sociais, lojas, notícias, jogos e até apps de compras se mantenham “frescas” sem abrir nada. O problema é que cada refresh consome rede + CPU + (muitas vezes) localização indireta.
No iPhone (iOS): - Definições → Geral → Atualização em segundo plano - Desative por completo ou deixe apenas o essencial (por exemplo, mensagens/voz, se fizer sentido no seu caso)
No Android (varia por marca): - Definições → Bateria → Utilização da bateria / Bateria por app - Em apps “suspeitas” (redes sociais, lojas, jogos): desative atividade em segundo plano ou coloque em Restrito
O que costuma acontecer depois: menos “acordares” do sistema ao longo do dia, menos notificações inúteis a reativar processos, e um repouso bem mais estável.
2) Limitar a localização (e a “localização precisa”) ao estritamente necessário
Localização não é só GPS. Pode incluir Wi‑Fi, Bluetooth e outras formas de varrimento para estimar posição. E quando está em “Sempre” (ou com precisão total para tudo), transforma-se numa drenagem constante, especialmente em cidade.
No iPhone (iOS):
- Definições → Privacidade e Segurança → Serviços de Localização
- Para a maioria das apps: selecione Ao usar a app
- Desative Localização precisa onde não for necessária (redes sociais, lojas, classificados, etc.)
No Android: - Definições → Localização → Permissões de localização - Mude apps para Permitir apenas durante a utilização - Em “Serviços de localização” (quando existir): desligue melhorias/varrimento que não use
Um detalhe que costuma surpreender: apps que “não parecem” precisar de GPS (compras, redes sociais, apps de entrega que já não usa) são frequentemente as que mais pedem localização em background.
O que desativar sem estragar o dia (e o que manter)
Nem tudo deve ser cortado às cegas. A ideia é reduzir o ruído, não partir o essencial.
| Definição | Onde mexer | Impacto típico |
|---|---|---|
| Atualização/atividade em segundo plano | iOS: Geral → Atualização em segundo plano / Android: Bateria por app | Feeds menos imediatos; menos consumo em repouso |
| Localização “Sempre” + localização precisa | iOS/Android: Privacidade/Localização → Permissões | Apps menos “intrusivas”; mapas continuam a funcionar quando abertos |
Se quiser uma triagem rápida, faça isto: - Veja a lista de consumo de bateria nas últimas 24h e identifique 2–3 apps no topo que “não justificam” estar lá. - Corte background nessas apps primeiro. - Depois, reveja localização e remova “Sempre” em tudo o que não seja navegação, segurança ou dispositivos (por exemplo, relógio/trackers, se usar).
Um teste simples para confirmar a poupança (em 24 horas)
Não precisa de instalar apps nem fazer reset: 1. Carregue até um valor redondo (por exemplo, 80%). 2. Faça o seu dia normal, mas com estas duas definições ajustadas. 3. Compare a percentagem ao fim da tarde e o tempo de ecrã ligado nas estatísticas de bateria.
Em muitos casos, a diferença aparece mais em “tempo em repouso” do que em “tempo de uso”. É aí que costuma estar o desperdício.
FAQ:
- Posso desativar a atualização em segundo plano e continuar a receber notificações? Sim. Notificações (push) podem continuar a chegar, mas muitas apps deixam de atualizar conteúdo constantemente sem serem abertas.
- Desligar localização “precisa” estraga o Google Maps/Mapas? Não, desde que mantenha a localização ativa para as apps de navegação “Ao usar a app”. A maior poupança vem de impedir o “Sempre” e a precisão total em apps que não precisam.
- Isto resolve a bateria fraca em telemóveis antigos? Ajuda bastante, mas não faz milagres. Se a saúde da bateria já estiver degradada, vai notar melhoria sobretudo em repouso, não necessariamente em uso intensivo.
- Que apps devo deixar com permissões mais abertas? As que dependem mesmo disso: navegação (quando em uso), apps de segurança/anti-roubo, e comunicações essenciais - e mesmo assim, com critério.
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