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A maquina de lavar salta durante a centrifugacao causas do problema e o que voce pode fazer a respeito

Homem a reparar uma máquina de lavar roupa na cozinha, com várias ferramentas no chão.

Na primeira vez que a máquina “saltou” durante a centrifugação, a maioria de nós faz o que faz sempre: vai ao telemóvel e tenta explicar o problema num chat de apoio - e acaba a ver respostas automáticas do género “claro! por favor, forneça o texto que gostaria que eu traduzisse.” ou “claro! por favor, forneça o texto que deseja traduzir.”. É frustrante, mas também é um sinal útil: se não descrever bem o que está a acontecer (e em que condições), é fácil ficar preso em conselhos genéricos.

A boa notícia é que, na maior parte dos casos, uma máquina de lavar que salta na centrifugação está a reagir a desequilíbrio, instalação ou desgaste - e há verificações simples que pode fazer antes de chamar assistência. A má notícia é que ignorar o problema pode acelerar danos em rolamentos, suspensão e até no chão à volta.

Porque é que a máquina de lavar “salta” na centrifugação

A centrifugação é o momento mais exigente do ciclo. O tambor gira a alta velocidade e qualquer pequena assimetria (roupa acumulada num lado, piso irregular, peça solta) amplifica-se como uma vibração. A máquina tenta compensar, mas quando não consegue, começa a “andar” ou a bater.

Em linguagem simples: não é a máquina a “decidir” saltar - é a física a vencer a estabilidade. E quase sempre há uma causa concreta, repetível, que aparece em padrões: com edredões, com cargas pequenas, depois de uma mudança de casa, ou após anos de uso.

As causas mais comuns (e como reconhecê-las)

1) Carga desequilibrada (o clássico)

Um edredão, toalhas pesadas ou poucas peças grandes tendem a enrolar-se e formar uma “bola”. O tambor fica desbalanceado e a máquina entra numa dança: tenta redistribuir, acelera, trava, volta a acelerar - até começar a bater.

O indício típico é este: em lavagens normais até se aguenta, mas com peças volumosas a vibração dispara. Também pode acontecer com cargas muito pequenas (duas toalhas e mais nada), porque falta “massa” para estabilizar.

2) Máquina desnivelada ou pés mal ajustados

Se a máquina não estiver firme em todos os pontos, a vibração vira movimento. Um pé ligeiramente no ar é suficiente para transformar a centrifugação num “passeio” pela cozinha.

Isto acontece muito após limpeza do chão, mudanças, ou quando o piso é ligeiramente inclinado. Em pavimentos flutuantes, o efeito pode ser ainda mais evidente.

3) Parafusos de transporte ainda colocados (em máquinas novas)

Em máquinas recém-instaladas, um erro comum é não remover os parafusos/travas de transporte do tambor. Eles servem para fixar o conjunto durante o transporte, mas se ficarem, a máquina vibra como se estivesse “presa” por dentro.

Se a máquina é nova e desde o primeiro dia faz barulho e salta, esta hipótese sobe logo para o topo.

4) Amortecedores/suspensão gastos

Com o tempo, os amortecedores perdem capacidade de absorver impactos. A centrifugação deixa de ser “controlada” e passa a ser um abanão constante, sobretudo em cargas médias/altas.

O padrão aqui é progressivo: começa com vibração leve e, ao longo de semanas ou meses, evolui para batidas mais fortes. Muitas vezes ouve-se o tambor a “tocar” na estrutura.

5) Contrapesos soltos ou danificados

Muitas máquinas têm contrapesos (geralmente de betão) para estabilizar o conjunto. Se um contrapeso racha ou se os parafusos afrouxam, o resultado é ruído seco, pancadas e vibração anormal.

Isto pode acontecer após transportes, impacto, ou simplesmente por fadiga e afrouxamento ao longo dos anos.

6) Rolamentos em fim de vida (problema mais sério)

Quando os rolamentos começam a falhar, o som muda: aparece um ronco metálico, como um “avião” a levantar, que piora na centrifugação. Pode haver folga no tambor e, em casos avançados, fugas e oxidação.

Aqui, insistir em usar a máquina pode sair caro. É daqueles casos em que “aguentar mais um mês” pode transformar uma reparação numa substituição.

O que pode fazer já (checklist rápido e seguro)

Antes de mexer, desligue a máquina da tomada e feche a água se for necessário movimentá-la. Depois, siga esta sequência - é a forma mais rápida de separar um problema simples de um problema técnico.

Passo 1: rever a carga

  • Evite cargas “solitárias” de peças grandes (ex.: um edredão sozinho). Se possível, junte 1–2 toalhas para ajudar a equilibrar.
  • Não sobrecarregue: roupa demasiado compacta impede a redistribuição.
  • Se a máquina começar a bater, pause, abra (quando desbloquear), redistribua a roupa e retome.

Passo 2: nivelar e estabilizar a máquina

  • Empurre a máquina com as mãos: se “balança”, há folga.
  • Ajuste os pés até ficar firme em todos os cantos.
  • Confirme se as porcas de travamento dos pés estão bem apertadas.

Se o piso for muito escorregadio, uma base antiderrapante pode ajudar, mas não deve servir para “mascarar” uma máquina claramente desnivelada.

Passo 3: confirmar parafusos de transporte (se for nova ou foi transportada)

Consulte o manual do modelo e verifique na traseira se existem travas/parafusos de transporte instalados. Se existirem, retire-os conforme indicado e guarde-os (são úteis numa futura mudança).

Passo 4: observar o tipo de ruído

Este detalhe poupa tempo com assistência técnica, porque aponta para a origem:

  • Vibração “normal” mas exagerada: carga/pés/piso.
  • Batidas secas (toc-toc forte): suspensão, contrapeso, folgas internas.
  • Ronco metálico crescente: rolamentos.
  • Chiado/borracha: correia ou fricção interna (menos comum, mas possível).

Passo 5: testar com uma centrifugação curta

Faça um teste com meia carga equilibrada (roupa pequena e distribuída). Se o problema desaparecer, a causa é quase sempre carga/nivelamento. Se persistir com qualquer carga, vale a pena considerar desgaste interno.

Sinais de que deve parar e chamar assistência

Há uma diferença entre “vibra mais do que eu gostaria” e “está a partir-se”. Se notar algum destes pontos, evite continuar a usar:

  • cheiro a queimado ou aquecimento anormal na zona traseira/baixo
  • água no chão sem explicação
  • tambor com folga (ao puxar para cima/baixo sente “jogo”)
  • batidas tão fortes que deslocam a máquina centímetros em segundos
  • ruído metálico alto e constante na centrifugação

Nestes casos, insistir pode danificar mais peças e aumentar o custo final.

Um guia rápido: sintoma → causa provável → ação

Sintoma Causa provável O que fazer
“Anda” no chão com edredões/toalhas Carga desequilibrada Redistribuir, combinar peças, reduzir carga
Vibra em qualquer lavagem Pés desnivelados / piso instável Nivelar, apertar pés, estabilizar base
Desde o primeiro dia (máquina nova) Parafusos de transporte Remover travas conforme manual
Batidas secas e fortes Amortecedores ou contrapesos Inspeção técnica (risco de danos)
Ronco metálico tipo “avião” Rolamentos Assistência; avaliar reparação vs substituição

Pequenos hábitos que evitam que volte a acontecer

Não é preciso tratar a máquina como porcelana, mas alguns hábitos simples fazem diferença ao longo de anos:

  • Distribua peças grandes (não deixe tudo “num bolo” de um lado).
  • Evite lavar um único item pesado; tente equilibrar a carga.
  • Verifique o nivelamento depois de mover a máquina para limpar.
  • Se a casa tiver piso flutuante flexível, procure o local mais rígido e plano possível.

A ideia não é “lutar” com a máquina - é dar-lhe condições para fazer o que foi desenhada para fazer: centrifugar com estabilidade, sem castigar a suspensão a cada lavagem.

FAQ:

  • Como sei se é só desequilíbrio da carga? Se o problema aparece sobretudo com peças volumosas (edredões, toalhas) e melhora quando redistribui a roupa ou muda a combinação de peças, é muito provável que seja desequilíbrio.
  • Uma base de borracha resolve? Pode reduzir ruído e escorregamento, mas não substitui o nivelamento. Se a máquina está desnivelada ou com suspensão gasta, a base apenas disfarça e pode atrasar o diagnóstico.
  • Posso continuar a usar se ela “salta um bocadinho”? Vibração ligeira é normal. Se houver batidas fortes, deslocação visível, ruído metálico, fugas ou cheiro a queimado, pare e peça avaliação.
  • O que significa um ronco alto na centrifugação? Muitas vezes aponta para rolamentos em desgaste, sobretudo se o som for crescente com a velocidade. Convém diagnóstico técnico para evitar danos adicionais.
  • Máquina nova a tremer muito: o que verifico primeiro? Parafusos/travas de transporte e nivelamento. Esses dois pontos explicam a maioria dos casos em equipamentos recém-instalados.

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